quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tema: Redações e trabalhos acadêmicos

No mês de março, fizemos um trabalho muito interessante na aula de português. A professora trouxe uma prova de vestibular da “UNICAMP” (universidade de Campinas) do ano de 2001. O trabalho tinha como proposta praticar a escrita de uma narrativa e fazer com que nós tivéssemos a oportunidade de conhecer como esse tipo de texto, que já estudamos há alguns anos, aparece em provas de vestibular. A prova pedia para nós construirmos uma redação com uma situação limite, como no dito “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. A narrativa deveria ser escrita em primeira pessoa e o narrador não poderia ser o protagonista da ação. Alguns outros aspectos também deveriam ser considerados. Aí vão as instruções:

“Escreva uma narrativa em primeira pessoa, na qual o narrador não seja o protagonista da ação. Considere os aspectos abaixo, que a constituirão:
- Uma situação problemática, de cuja solução depende de algo muito importante;
- Uma tentativa de solução do problema, pela escolha de um dos caminhos possíveis, todos arriscados: matar ou morrer;
- Uma solução para o problema, mesmo que origine uma nova situação problemática. ”

Fazer uma redação desse porte foi uma experiência muito boa, principalmente pelo fato de ser a primeira vez que tivemos de construir um texto em que o narrador não era protagonista, o que nos motivou mais ainda.

Escolhemos a redação de Ana Paula Huoya, porque a colega deixou bem clara qual era a situação-limite, e sua historia ficou muito bem elaborada.

Redação de Ana Paula

Minha mãe era a pessoa mais feliz do mundo. Ela me levava para a escola, saía para trabalhar, voltava para me buscar e tomávamos sorvete na pracinha. Não havia melhor vida. Até o dia em que ela apareceu na minha escola de mãos dadas com um homem cujo semblante eu não reconhecia. Ele era um completo estranho.

Foi então que ela falou:

― Filha, esse é o Alex. Ele vai morar conosco agora.
― Prazer. ― Eu disse educadamente.

Fiquei feliz por minha mãe naquele momento, ela estava com um sorriso enorme no rosto. Eu tinha certeza de que ela estava feliz.

Alguns meses se passaram e minha mãe já não era a mesma, ela andava sempre triste, chorando pelos cantos, mas eu não sabia o motivo do sofrimento dela. Foi então que percebi que Alex estava muito agressivo e batia nela. Eu a via todas as noites chorando na sala e toda machucada. Ela hesitava o tempo todo em pegar o telefone e denunciá-lo. Eu olhava e não entendia por que ela não pegava logo o telefone e denunciava, já que ele não a deixava nem sair de casa. Até que eu descobri o motivo. Um dia Alex disse a ela que se ela denunciasse ou mesmo contasse a alguém, ele me mataria. Nesse dia minha mãe tremia, chorava, afinal, ela não queria continuar apanhando nem mesmo ver a filha morta.

Mesmo assim ela teve que escolher. Eu não gostei da escolha, mas tive que respeitar a vontade dela.

Eu vi o dia em que ela entrou em casa desesperada, aos prantos. Não sei onde ela conseguiu aquilo, mas estava carregando um revólver. A única coisa que eu ouvi pelo resto do dia foi o barulho de dois tiros. Corri para o quarto e vi a cena: estavam os dois sujos de sangue, mortos. Não me lembro de mais nada, só de acordar num quarto de orfanato. Quando olhei para o lado, ela não estava mais lá.

4 comentários:

  1. quem foram as pessoas do grupo?

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  2. Olá, turmas dos 9os anos,

    Parabéns pelo blog. Curti muito ler os textos de vocês e até aprendi algumas novidades tecnológicas. Gostei da explicação para a postagem da redação; acho que, assim, os leitores ficam mais ligados e têm mais interesse em ler.
    Ficarei acompanhndo as novas postagens. Vão em frente!
    Estou à disposição de vocês para qualquer ajuda.
    Bjs,

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  3. A redação está muito boa e criativa. É um pouco triste, mas retrata a realidade. Parabéns!
    beijjjjo

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  4. ki bom débora, ki bom

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